quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Códigos

Post sobre o capítulo 5 do livro A Sociedade de Rede, de Manuel Castells


O autor inicia o texto citando a invenção do alfabeto, em 700 a.C. Foi a primeira forma de registrar a comunicação, de forma que os conhecimentos pudessem ser passados por outra via, que não fosse a oral. A possibilidade de escrever no mesmo código interligou pessoas de localidades distantes. A comunicação poderia ser via carta, mensagem. Não precisava mais ser presencial.
Castells afirma que a escrita se massificou depois da invenção da imprensa e do papel. Meios que facilitaram o acesso da população ao código. Apesar de hoje serem coisas banais do cotidiano, o alfabeto, a imprensa e o papel representaram avanços tecnológicos. Conforme o homem aprimorou suas invenções, aumentou as redes de comunicação e sua penetração. Quanto maior a tecnologia e mais simples o código, mais pessoas entrava,m na sociedade de rede, idealizada por McLuhan.
Até o século XX a cultura escrita teve vantagem segundo o autor. Depois, foi superada pela visual, com o advento do cinema, rádio e TV. Mais uma vez a tecnologia, que possibilitou um meio mais agudo de enviar as mensagens, mostra ser decisiva. Enquanto para ler uma carta é preciso conhecer o alfabeto, para ver uma filme basta escutar e enchergar. A sociedade de rede ganhou novos inquilinos.
Com a avanço tecnológico, veio a internet e, enfim, a consolidação das idéias de McLuhan. Agora a rede abrange a todos – apesar do baixo acesso à internet em países de terceiro mundo. Diminuiu distâncias, interligou comunidades até então muito afastadas. A definição do inglês como língua universal ajuda. Em tese, páginas em inglês são acessíveis a pessoas de todo o planeta.
Esse avanço no código modificou a própria cultura do homem, como diz Castells. "Não vemos a realidade como ela é, mas como são nossas linguagens. E nossas linguagens são nossas mídias. Nossas mídias são nossas metáforas. Nossas metáforas criam o conteúdo da nossa cultura." Como a web permite uma ampla segmentação da informação, a cultura se torna cada vez mais segmentada.
O autor a define como virtualmente real. Os símbolos compreendidos na frente de um PC ou celular são reais. "Em todas as sociedades, a humanidade tem existido em um ambiente simbólico e atuando por meio dele", diz. Com o código e a tecnologia atual, as coisas não precisam ser palpáveis para serem reais. Ocupam parte no cotidiano das pessoas. Cada vez mais, "o faz-de-conta vai ser tornando realidade."

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