sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Nada se cria, tudo se copia (e as vezes se rouba)

Post sobre o filme Piratas do Vale do Silício

O filme Piratas do Vale do Silício ilustra muito bem as relações entre concorrentes e o despreparo humano para o poder. Steve Jobs é mostrado como um ser egocêntrico, megalomaníaco. Colhe a queda anunciada no final do longa. Bill Gates aparece como um oportunista, sorrateiro, ávido por riqueza. Em comum, os dois personagens apresentam facilidade com cálculos, faro de negociante e visão de futuro.
A cena em que aparece o pavilhão negro dos piratas com a maça colorida da Apple é emblemática. A seqüência da cena também. Gates oferece serviços a Jobs, copia com certas mudanças o Macntoshi e lança o Windons. Uma rasteira na Apple, no momento cega pelo poder e a cisão interna, provocada pelo próprio Jobs.
A conquista do DOS é outro exemplo da arte de copiar. Blefar entra junto nesse caso. Ao mentir para os representantes da IBM, Gates prova ser ousado. Compra por US$ 50 mil a plataforma e inicia o caminho do dinheiro. Jobs usa a pirataria na questão da interface e do mouse, criados pela Xerox. Ganha de presente, na malícia, o projeto alheio.
Outro ensinamento do filme é ouvir, prestar atenção no vizinho, no colega e, claro, no concorrente. Jobs faz de conta que não ouve Gates em uma feira de computadores. Anos depois, é empregado do mesmo Gates. A poderosa Xerox entrega o cofre minado de ouro por não dar a atenção devida a um produdo criado na casa. A IBM mostra ser frágil por não dominar a tecnologia. Aí, mais uma lição, citada por Gates no longa. "Faça os outros dependerem de você." Foi o que fez o homem mais rico do mundo. O resultado está na sua conta bancária.

PS: Outra lição do filme: o dinheiro transforma qualquer jacó em gente.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Códigos

Post sobre o capítulo 5 do livro A Sociedade de Rede, de Manuel Castells


O autor inicia o texto citando a invenção do alfabeto, em 700 a.C. Foi a primeira forma de registrar a comunicação, de forma que os conhecimentos pudessem ser passados por outra via, que não fosse a oral. A possibilidade de escrever no mesmo código interligou pessoas de localidades distantes. A comunicação poderia ser via carta, mensagem. Não precisava mais ser presencial.
Castells afirma que a escrita se massificou depois da invenção da imprensa e do papel. Meios que facilitaram o acesso da população ao código. Apesar de hoje serem coisas banais do cotidiano, o alfabeto, a imprensa e o papel representaram avanços tecnológicos. Conforme o homem aprimorou suas invenções, aumentou as redes de comunicação e sua penetração. Quanto maior a tecnologia e mais simples o código, mais pessoas entrava,m na sociedade de rede, idealizada por McLuhan.
Até o século XX a cultura escrita teve vantagem segundo o autor. Depois, foi superada pela visual, com o advento do cinema, rádio e TV. Mais uma vez a tecnologia, que possibilitou um meio mais agudo de enviar as mensagens, mostra ser decisiva. Enquanto para ler uma carta é preciso conhecer o alfabeto, para ver uma filme basta escutar e enchergar. A sociedade de rede ganhou novos inquilinos.
Com a avanço tecnológico, veio a internet e, enfim, a consolidação das idéias de McLuhan. Agora a rede abrange a todos – apesar do baixo acesso à internet em países de terceiro mundo. Diminuiu distâncias, interligou comunidades até então muito afastadas. A definição do inglês como língua universal ajuda. Em tese, páginas em inglês são acessíveis a pessoas de todo o planeta.
Esse avanço no código modificou a própria cultura do homem, como diz Castells. "Não vemos a realidade como ela é, mas como são nossas linguagens. E nossas linguagens são nossas mídias. Nossas mídias são nossas metáforas. Nossas metáforas criam o conteúdo da nossa cultura." Como a web permite uma ampla segmentação da informação, a cultura se torna cada vez mais segmentada.
O autor a define como virtualmente real. Os símbolos compreendidos na frente de um PC ou celular são reais. "Em todas as sociedades, a humanidade tem existido em um ambiente simbólico e atuando por meio dele", diz. Com o código e a tecnologia atual, as coisas não precisam ser palpáveis para serem reais. Ocupam parte no cotidiano das pessoas. Cada vez mais, "o faz-de-conta vai ser tornando realidade."

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Entretenimento e tecnologia

Post referente ao texto: Da Juke Box ao MP3 - A voz da junvetude, do professor Militão de Maya Ricardo

A tecnologia interfere e acaba sendo absorvida pelo cotidiano, muitas vezes atrelada ao entretenimento. É o que mostra o texto Da Juke Box ao MP3 - A voz da junvetude, do professor do curso de Comunicação Social da Unisc, Militão de Maya Ricardo. Ele começa a retrospectiva pelos anos 50 e as barreiras derrubadas pela geração rock and roll, e conclue no término dos anos 90.
É possível observar que o preço da tecnologia define sua incorporação imediata ou não. O rádio, a TV, o cinema e o vinil surgiram na década de 50 e conforme se tornaram mais acessíveis ao público, facilitaram mudanças sociais. A transmissão da mensagem antes apenas presencial, ganhou novos meios unilaterais. Militão observa a influência da comunicação de massa nos jovens.

"... situações vivenciais cotidianas possíveis com a utilização de aparatos tecnológicos de comunicação de massa criaram uma identidade grupal, uma rede de traços comuns entre os jovens que os encorajou a adotar gradualmente novos padrões de comportamento pessoal social e sexual."

A avaliação do professor mostra um fato cíclico, que se renova periodicamente. Aconteceu nas décadas seguintes e, pelo visto atualmente no nosso cotidiano, continuará em pé. Militão acredita que o aparato tecnológico dos anos 50 (e sua firmação na rotina dos jovens) serviu de base para a explosão da cultura POP, no anos 60.
As transmissões via satélite, o crescimento da indústria fonográfica, possibilitaram outro apelo forte até os dias de hoje: a expressão. Assim como nós usamos nossos blogs, fóruns no Orkut ou afins para publicar idéias, a música serve de meio de expressão. "... as pessoas estavam dispostas a ter um papel ativo na sociedade, que desejavam ser ouvidas, pelo menos enquanto se divertiam", afirma Militão.
De acordo com a idéia do texto, a diversão ajuda a conduzir a incorporação da tecnologia. O prazer de fazer música, ganha o apoio do acesso e da miniaturização dos equipamentos eletrônicos, como nos home studios dos anos 80 e atualmente em um laptop com softwares capazes de editar um clipe, CD ou DVD. A banda criar seu material promocional, mesmo que sem grandes pretensões ou apenas com intenção de descontração, torna-se algo natural. Os jovens passam a dominar a tecnologia.
A partir da metade da década de 90, a interação nas mensagens ganha vida com a Internet. As respostas podem ser imediatas, e são, conforme o tempo avança. A sala de chat, a lista de discussões, no princípio usadas para diversão, hoje viraram ferramentas de trabalho (o Tecnoboteco é um exemplo). A diversão e a necessidade de expressão incoporaram a tecnologia a rotina, fortalecem o cyber espaço, ainda em formação .